Quarta-feira, Junho 23, 2010

Testemunho de Abraão - Flávio Josefo

Lendo um importante e talvez o mais importante historiador Flávio Josefo que viveu de 37 a 103 d.C que conta a história dos Hebreus me deparei com o momento onde Abraão é posto a prova quando Deus pede para oferecer seu filho como sacrifício.
Pedido difícil, uma prova de fogo.

A Bíblia poucos detalhes mostra sobre este momento.

Em Gênesis 22 temos:

6 E tomou Abraão a lenha do holocausto, e pô-la sobre Isaque seu filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos.
7 Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?
8 E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos.
9 E chegaram ao lugar que Deus lhe dissera, e edificou Abraão ali um altar e pôs em ordem a lenha, e amarrou a Isaque seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima da lenha.
10 E estendeu Abraão a sua mão, e tomou o cutelo para imolar o seu filho;
11 Mas o anjo do SENHOR lhe bradou desde os céus, e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui.
12 Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho.

Mas Flávio Josefo nos dá aqui uma noção do porquê Abraão é chamado de o Pai da fé.

Palavras e Josefo:

"Abraão era um homem muito sensato, muito prudente e de muito grande espírito e tão eloquente que podia persuadir tudo o que queria. Como nenhum outro o igualava em capacidade e em virtude, ele deu aos homens conhecimento da grandeza de Deus muito mais perfeito do que tinham antes. Foi ele primeiro que ousou dizer que existe um só Deus; que o Universo é obra de suas mãos e que é unicamente à sua bondade e não às nossas próprias forças que devemos atribuir toda a nossa felicidade."(cap.7 pág 31)

Bom, é deste homem que estamos falando, de um homem que entendeu a graça muito antes da vinda do próprio Cristo, entendeu-se miserável e dependente das mãos do Altíssimo.

Adiante no sacrifício de seu filho vemos um diálogo entre Abraão e Isaque que me deixou emocionado.

Primeiro fato a ressaltar é que; no meu modo de entender o texto, Isaque era uma criança, mas Josefo afirma que ele tinha 25 anos de idade, ou seja, já era um homem, mas ainda não com a maioridade requerida pelo Judaísmo.
Segundo; o texto não indica que tipo de relacionamento tinha Abraão com Isaque, mas Josefo nos dá algumas pistas de como era essa relação;

"Nada poderia se acrescentar à ternura que Abraão tinha para seu filho Isaque quer porque ele era seu único filho, quer porque Deus lho tinha dado em sua velhice. E Isaque, por sua vez, praticava com tanto entusiasmo toda espécie de virtudes, servia a Deus com tanta fidelidade e prestava a seu pai tantos serviços, que lhe dava todos os dias novos motivos para amá-lo." (Cap. 13 - pág 35)


Eis as palavras de Josefo:

"Isaque tinha 25 anos; ele preparou o altar, mas não vendo vítima alguma perguntou ao pai a quem ele queria sacrificar. Abraão respondeu-lhe que Deus, que pode dar aos homens todas as coisas que lhes faltam e tirar-lhes as que já possuem, dar-lhes-ia uma vítima, se se dignasse aceitar seu sacrifício.
Depois de ter colocado a lenha sobre o altar, Abraão assim falou a Isaque:"Meu filho, eu vos pedi a Deus com muita insistência e muitas orações. Não houve cuidado que eu não tivesse tido de vós, desde que viestes ao mundo; e eu consideraria como realizados todos os meus votos se vos visse chegar a uma idade muito avançada e deixar-vos, ao morrer como herdeiro de tudo o que eu possuo. Mas, como Deus, depois de vos ter-me dado, quer agora que eu vos perca, consenti generosamente que eu vos ofereça a Ele em sacrifício. Prestemos-lhe, meu filho, este ato de obediência e esta honra para testemunhar-lhe nossa gratidão pelos favores que Ele nos fez na paz e pela assistência que nos deu na guerra. Como vós nascestes para morrer, que fim vos pode ser mais glorioso do que ser oferecido em sacrifício por vosso próprio pai ao soberano Senhor do Universo, que em vez de terminar vossa vida por uma doença, numa cama, ou por uma ferida na guerra, ou por algum outro acidente, aos quais os homens estão sujeitos, vos julga digno de entregar-lhe a alma no meio de orações e sacrifícios, para ficar para sempre unida e Ele? Consolareis assim minha velhice, dando-me a assistência de Deus, em vez da que eu devia receber de vós, depois de vos ter educado com tanto cuidado."
Isaque, que era um filho digno de tão admirável pai, escutou estas palavras não somente sem admirar, mas até com alegria e respondeu-lhe, que ele teria sido indigno de nascer se se recusasse a obedecer à vontade de seu pai, principalmente quando ela estava de acordo com a de Deus. Assim dizendo, colocou-se ele mesmo sobre o altar para ser imolado; esse grande sacrifício ter-se-ia realizado, se Deus mesmo não o tivesse impedido. Ele chamou Abraão pelo nome e proibiu-o de matar seu filho, dizendo-lhe que o havia ordenado sacrificá-lo, não para tirá-lo depois de lho ter dado, ou porque Ele sentia prazer em ver derramar-se sangue humano, mas somente para experimentar a sua obediência." (cap 13 - pág. 36)

De arrepiar foi a doação desses homens. Portanto o nome de "o pai da fé" está perfeitamente justificável.

3 comentários:

Marcus disse...

valeu!

Ev. Eli hudson disse...

A paz do Senhor meu amado, eu recentemente, fiz um estudo com base na idade de Isaque na hora do Sacrificio, mas, o texto dito por ti, com referencia em Josefo meu deu mais paz, pois, havia dito de: 25 a 30 anos. Que Deus vos abençoe.

Ev. Eli Hudson
www.adperus.com.br/colunistas/ev_eli_hudson

Ev. Eli hudson disse...

A paz do Senhor amado! Recentemente fiz um estudo com base na idade de Isaque onde disse que ele tinha 25 a 30 anos de idade, porem, ao ver as palavras que vc disse com base em Josefo, tive mais paz. Que Deus vos abençoes Ev.Eli Hudson

www.adperus.com.br/colunistas/ev_eli_hudson