Segunda-feira, Junho 27, 2011

Quem ensina quem?

"Quem pensa que são os pastores e professores que estão ensinando o evangelho e a Teologia nas igrejas, se enganam. Quem está ensinando essas coisas são as músicas. Se temos música ruim nas igrejas, temos muita Heresia."


Depois de algum barulho reverberado no Facebook posto aqui minhas impressões. Acho que vale a pena.

Já ouviram uma frase? não sei bem de quem... Mas diz assim... "Criem as leis desde que eu crie os Hinos"

Vou tentar ser mais claro.
1° O poder da palavra cantada é muito maior do que a palavra falada. Somos capazes de nunca esquermos uma música, mas uma palavra dita podemos esquecer com mais facilidade.
2° na maior parte dos cultos a música ocupa um tempo enorme e a palavra falada está com tempo cada vez mais escasso.
3° As pessoas estão perdendo o poder de concentração e a paciência quando ouvem alguém falar por 30 min.
4° Cada música defende uma tese. O exercício de ler uma música sem cantá-la é ótimo, pois vc sai da emoção para tentar entender o seu conteúdo nú e cru. Muitos músicos não entenderam sua responsabilidade de se fazer uma música. Eles deveriam também ser mestres em Teologia para saber do que estão falando. Mas não é isso que acontece. Estamos escolhendo músicas pela moda, pelo que está nas rádios, ou por aclamação popular. Hoje praticamente os temas são antropocêntricos nas canções. Tem temas de vitória que nos a dá a idéia de apenas uma vitória material. Tem temas que falam do nosso amor para o nosso Deus como se isso fosse algo bom de ser mensurado.
Tem músicas que mostram uma intimidade com Jesus que parecem até músicas sensuais. Enfim, há músicas da chuva, da Shekinah, do fogo, do fogo na noiva... me parece que muitos músicos enlouqueceram e a igreja está cantando suas loucuras (não generalizo).
Não digo aqui nada de dons. Acredito em cada dom, mas a música está tomando como disse meu amigo Bruno de Assis um lugar que não é o dela. Há o que se dizer sobre o termo usado acima, que é o ser Levita. Me desculpe mas não existem mais levitas.
E ainda que existisse, a função de levita não é a função de músico.
No novo testamento somos todos sacerdotes de nós mesmos, tendo um Sumo Sacerdote, Jesus Cristo. "Por que o fim da lei é Cristo".
Acabou td isso no velho testamento. Digo td isso e fico feliz com a polêmica pq sei que depois de tudo estaremos mais sensíveis ao que está acontecendo e todos poderão por a prova o seu cotidiano.
Se as músicas tivessem ótimo conteúdo baseando-se somente no evangelho, td estaria perfeito, seria uma ferramenta linda. Mas, mais uma vez, por causa da pobreza de conhecimento dos músicos (ou até má intenção por parte do mercado gospel) não vejo que tem sido saudável esta troca da palavra pela música.

3 comentários:

Música, Ciência e Teologia disse...

Diego, destaco outro problema: as músicas são individualistas. É raro hoje vermos músicas que possam ser cantadas pela congregação durante o culto.

O "nós" foi substituído pelo "eu" e toda a temática não é mais voltada para o coletivo.

Até mais, Marcos.

Eclesia disse...

estava pensando. Tem um outro problema. Vc esta acreditando muito na capacidade de observação das pessoas. Vc esta correto qdo diz q ngm tem saco p prestar atenção em 30min de sermão, ngm lê como deveria e que a música fica na mente mto mais tempo q a palavra lida e falada.
Porém, a música fica na maior parte das vezes como um chiclete, distrai mas não alimenta.

Exemplo, qdo criança eu aprendi cantigas, como a do "alecrim dourado que nasceu no campo sem ser semeado". Cantei isso anos a fio e até hj seu de cor. Mas nunca soube o que diabos é alecrim, e muito menos pq ele nasceu no campo sem ser semeado.

As pessoas cantam, mas nao fazem o exercício que vc propôs, de ler a letra q esta cantando, de prestar atenção na mensagem que esta cantando. Cantam pq o chiclete é docinho.

O buraco é mto mais embaixo e essa sua constatação, A MEU VER, é só a ponta do iceberg.

Evandro L! Melo

Badaquias disse...

Opa, Vandreco, concordo com você. Eu sempre defendi a ideia de que a música má gera má teologia. Já não penso mais assim: as pessoas cantam sem se darem conta do que estão cantando. Não processam. Eu mesmo faço isso e me dou conta disso várias vezes.

Portanto, temos músicas muito ruins? Sem dúvida. Essas músicas ruins são responsáveis pela má teologia? Não acredito. No máximo elas só reafirmam a má teologia. O sujeito pode cantar "Rompendo em fé" apenas como uma experiência catártica mas não necessariamente acreditar naquilo, ou pode acreditar, mas não por causa da música e sim por causa da teologia que ele absorvou de repente em função do contexto que ele vive e que a música é mero reflexo.