A cada dia estou mais convencido que vivemos na Sociedade do Constrangimento.
Certa vez passei em frente ao salão onde corto meu cabelo. Mas não parei, pois já havia cortado em outro lugar.
O barbeiro não teve dúvidas, me questionou sobre minhas madeixas, pois seu papel é lutar pela sua clientela, logo ele me constrange.
Mais a frente me deparo com uma moradora de rua, que percebe que olho para ela.
Sem titubear, ela percebe meu constrangimento e aproveita a situação para me pedir alguns trocados.
Na igreja no final de semana, presenciei um sermão inflamado e evangelistico do pastor e ao término do sermão vem o momento denominado de "Apelo" conhecido pelos que já são iniciados neste contexto.
Sou constrangido a aceitar Jesus a todo custo.
E não pára por aí, pois eu já tenho as convicções de Cristo, então o apelo se volta para como anda minha vida, com que qualidade.
Não sou contra o cuidado, o interesse, o zelo, mas sou contra o constrangimento.
Qual diferença há entre a igreja e o barbeiro ou a moradora de rua? Nenhuma, pois todos obedecem a regra do momento. Você quer conseguir o que deseja, constranja, sem o menor pudor, constranja. Venda sua idéia e deixe seu próximo sem saída.
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